(28/02/2010) Orientações de recuperação de taludes após chuvas intensas por: Eng. Thomas Nilsson As chuvas no Brasil, periodicamente chegando aos extremos são fenômenos cíclicos, bem conhecidos e registrados por medições meteorológicas. O clima tropical tem forte impacto na estabilidade dos taludes. Precipitações intensas e de curta duração provoquem erosões súbitas decorrentes de transbordamentos no sistema de drenagem. Precipitações prolongadas provoquem deslizamentos por aumento da densidade na camada superior (deslizante) e por aumento de poropressão no maciço e por redução da sucção na estrutura do solo. Conseqüentemente, há perda da resistência ao cisalhamento. A intensidade alta de pluviosidade, combinada com forte calor e irradiação solar intensiva, altera a sucção e em seqüência os outros parâmetros. Os aterros sofrem geralmente por compactação insuficiente na saia, que fica fofa e porosa. A saia do aterro é fácil saturada e pesada em decorrência das precipitações. A estabilidade estrutural do talude, para não ocorrer deslizamentos superficiais, depende da densidade da camada deslizante, da sucção e da resistência ao cisalhamento. Já a redução da sucção matricial, causada pela infiltração da água da precipitação, diminui a resistência ao cisalhamento e provoca a ruptura. A capacidade e a velocidade de uma chuva prestes a infiltrar no talude são fatores importantes, determinadas pela intensidade e a duração da precipitação, junto com a inclinação e a geometria do talude, a permeabilidade do solo, a transmissividade hidráulica da rocha e a coeficiente de Manning da superfície. Muitos dos escorregamentos observados em precipitações prolongadas são planares e deslizam por uma área de descontinuidade proximo da superfície. As técnicas mais comuns para soluções imediatas de rupturas planares referem-se a retaludamento e regularização da superfície, com recuperação do sistema de drenagem, seguido por uma cobertura que evita ou diminui a infiltração. Um excelente equipamento para ensaiar taludes é o DPL NILSSON, (penetrômetro dinâmico leve com ensaio de torquímetro), que consegue acessar taludes íngremes e fornecer resistência da ponta e atrito lateral, além da estratigrafia e nível de água. Uma sugestão para entender a influência da sucção é fazer ensaios no solo saturado pela chuva e voltar fazer o ensaio na fase não saturado. A razão entre o atrito lateral nos dois casos pode indicar a sensibilidade e a importância da sucção. O gráfico apresenta um ensaio de DPL realizado no km 50, Rodovia Castello Branco, Araçariguama/SP. O talude, em aterro de aproximadamente 20 metros de altura,já escorregou no ano 2005. O projeto de retaludamento apostou em re-aterro e ignorou a importância de dreno de fundo. No ano de 2010, ocorreu no mesmo local um novo escorregamento superficial e planar. Pela alta resolução do ensaio de DPL podemos identificar 1) o reaterro de 2005, de compacidade fofa, 2) o aterro original e 3) o terreno residual.
Fig 1. Ensaio de DPL NILSSON. DP1 em SP280 km 50.
Importante no estudo de taludes é avaliar não apenas o local dentro dos limites da faixa de domínio, mas também estender as observações aos terrenos vicinais. Como o equipamento de DPL leve não altera o ambiente e não requer muito espaço, a entrada do ensaio em terrenos vicinais é fácil a liberar. |